segunda-feira, 28 de agosto de 2017

CRISE NO GOLFO

Catar desafia Arábia Saudita e restaura laços com o Irã

Retomada nas relações agrava ainda mais as tensões na região do Golfo Pérsico (Foto: Twitter)

O Catar retomou completamente suas relações diplomáticas com o Irã na última quinta-feira, 24, ignorando as exigências de várias nações árabes que tentam isolar o país e agravando ainda mais as tensões na região do Golfo Pérsico.

O Ministério das Relações Exteriores do Catar anunciou que o embaixador catari no Irã voltaria para Teerã após um hiato de 20 meses. O Catar retirou seu embaixador do Irã em janeiro de 2016, após um clérigo xiita comandar ataques a duas delegações sauditas no Irã.

Em comunicado, o governo do Catar “expressou sua aspiração de fortalecer as relações bilaterais com a República Islâmica do Irã em todos os campos”. Os dois países compartilham um enorme campo de gás natural no mar e desde o início da tensão no Golfo, o Irã tem enviado comida ao Catar.

O governo não deu explicações para a ação repentina. No entanto, o momento em que foi feita indica uma afronta ao isolamento liderado pela Arábia Saudita – o Catar é acusado pelo governo saudita de apoiar o terrorismo e de manter relações muito próximas com o Irã, país que compete com a Arábia Saudita pelo posto de potência do Oriente Médio. Os sauditas, junto com os Emirados Árabes, o Bahrein e o Egito cortaram suas rotas aéreas e marítimas para o Catar e fecharam a fronteira terrestre com o país.

Analistas afirmam que o bloqueio ao Catar enfraqueceu o Conselho de Cooperação do Golfo e ameaçou a estabilidade da região, que nos últimos anos vinha se distanciando de guerras, crises políticas ou de impasses com refugiados.

A situação para o país se agravou ainda mais com a visita feita nesta semana de um membro da família real catari, o sheik Abdullah al-Thani, ao rei Salman, da Arábia Saudita, em sua casa de férias no Marrocos. Para a mídia saudita, a situação representa um desafio para o emir do Catar, o sheik Tamin bin Hamad al-Thani.

Poucos analistas acreditam que o emir enfrenta uma séria ameaça, mas alguns cataris enxergaram a iniciativa como uma provocação e que a intenção do boicote seria provocar uma mudança de liderança no país.New York Times

Nenhum comentário:

Postar um comentário