segunda-feira, 28 de agosto de 2017

ECONOMIA ELETROBRAS

Regras da privatização da Eletrobras elevam tarifas, diz Aneel

Romeu Rufino, presidente da Aneel (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Depois do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ter descartado o aumento da tarifa paga pelo consumidor por conta da privatização da Eletrobras, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) fez um alerta dizendo exatamente o contrário.

A Aneel, entretanto, não critica a privatização em si, mas sim o modelo escolhido para promover iniciativa. Segundo a agência, o modelo que foi escolhido pela equipe econômica pode gerar um aumento para os consumidores finais de até 16,7%. A conclusão da Aneel foi encaminhada ao Ministério de Minas e Energia, em um documento enviado à pasta.

O governo quer que o modelo de privatização siga a chamada “descotização”, que é basicamente quando a venda de energia ocorre em valores de mercado. A ex-presidente Dilma Rousseff criou o regime de cotas. A partir dele, as tarifas baixaram. Seu argumento era que os empreendimentos, por serem antigos, já teriam rendido ganhos aos acionistas. Logo, o valor deveria cobrir apenas os custos de operação e de manutenção. Com a “descotização”, o valor das tarifas aumentam consequentemente.

“Se o governo está vinculando uma coisa à outra [privatização e descotização], é uma escolha. Isso não nasceu vinculado. A descotização terá impacto na tarifa, sim. Não há dúvida sobre isso. A Aneel fez simulações. Quem mais entende de tarifa é a Aneel”, disse Romeu Rufino, presidente da Aneel em entrevista ao Globo.

Em relação à privatização, Rufino acha que isso pode ser positivo. “Empresas estatais têm interferência de toda natureza, interferência que às vezes não estão propriamente buscando maximizar o interesse público. Por que um deputado ou senador está tão interessado em escolher o administrador de uma empresa? Deve ter lá os interesses dele. É diferente de um acionista que coloca metas, faz uma seleção, contrata o profissional mais preparado para maximizar o resultado da empresa. Esse desempenho de uma empresa estatal às vezes é muito em função de o administrador não ter a liberdade de fazer as melhores escolhas e ser mais eficiente“, disse Rufino.O Globo

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