quinta-feira, 24 de agosto de 2017

MUDANÇA DE DISCURSO

Trump amplia presença dos EUA no Afeganistão

Trump apresentou três motivos para manter os EUA no Afeganistão (Foto: Flickr/The White House)

Donald Trump nunca escondeu seu ceticismo em relação à presença dos Estados Unidos no Afeganistão. No ano passado, em sua campanha presidencial, ele chamou a intervenção militar americana no país de “completo desperdício”.

Porém, na contramão de seu discurso oficial, Trump anunciou na última segunda-feira, 21, que os EUA vão ampliar sua presença militar no Afeganistão, enviando milhares de soldados para o conflito, que se arrasta há 16 anos.

A decisão foi tomada após uma tumultuada reunião de Trump com seus conselheiros de Segurança Nacional na Casa Branca. “Estamos perdendo”, declarou Trump na reunião, de acordo com uma fonte ouvida pelo New York Times, em condição de anonimato. Em seguida, Trump criticou o plano de ação, afirmando que era vago e indeterminado e sem uma definição de vitória.

A reunião ocorreu no dia 19 de julho. Um dia antes, Trump recebeu quatro soldados que serviram no Afeganistão para um almoço na Casa Branca. A conversa com os soldados abriu os olhos de Trump para as consequências de se abandonar o conflito. No dia seguinte, Trump chegou à reunião com conselheiros determinado a fazer duras perguntas sobre a estratégia militar dos EUA no Afeganistão.

Na segunda-feira, Trump finalmente apresentou uma estratégia mais ampla para o Afeganistão, uma que exigirá o envio de mais tropas americanas ao país, porém, estabelece mais contrapartidas do governo afegão.

Trump apresentou três motivos para manter os EUA no Afeganistão: honrar soldados americanos que morreram no conflito desde 2001; impedir que o Afeganistão se torne um reduto para jihadistas; e estabilizar a região do Sul da Ásia.

“Meu instinto inicial foi sair do Afeganistão, e historicamente eu gosto de seguir os meus instintos. Mas por toda a minha vida eu ouvi que as decisões são muito diferentes quando se está atrás da mesa do Salão Oval. […] Nossa nação deve buscar uma saída honrosa e duradoura, digna dos tremendos sacrifícios que foram feitos. […] As consequências de uma saída rápida são previsíveis e inaceitáveis. Uma retirada precipitada criaria um vácuo que terroristas – incluindo do Isis e da Al Qaeda – rapidamente preencheriam, exatamente como ocorreu antes do 11 de setembro”, disse Trump.

Para os conselheiros de Segurança Nacional, o anúncio é uma vitória que coroa meses de intensos debates para convencer Trump a manter os EUA no Afeganistão. Segundo eles, Trump finalmente cedeu e aceitou o fato de que é necessária uma grande ação militar para prevenir o Afeganistão de se tornar novamente um reduto de treinamento de jihadistas para ações contra os EUA.

Convencido de que não há outra opção, Trump se tornou o terceiro presidente americano a enviar soldados para o mais longo conflito da história dos EUA. No entanto, ele não detalhou o número exato de soldados a serem enviados ao Afeganistão nem quanto tempo eles permanecerão no país. Questionado por repórteres, o presidente americano disse que não repetirá o erro de seu sucessor, Barack Obama, de divulgar o plano de ação militar do país aos inimigos.

Exigências ao Paquistão

Apesar disso, Trump deixou claro que haverá mais ônus aos governos afegão e paquistanês. O primeiro terá de apresentar um desempenho melhor em termos civis e militares. O segundo terá de cortar o fornecimento de apoio a terroristas que se refugiam na fronteira do país com o Afeganistão. Trump alertou que o governo paquistanês “terá muito a perder” se não cooperar.

Persuadir o Paquistão a coibir grupos jihadistas na fronteira é um objetivo que nem George W. Bush nem Obama conseguiram alcançar. Trump afirmou que vai obter sucesso nisso ao endurecer as conversas com o governo paquistanês.

“Não podemos mais nos silenciar em relação aos redutos para organizações terroristas no Paquistão, o Talibã e outros grupos que representam uma ameaça à região e a outras partes. O Paquistão tem muito a ganhar ao se juntar aos nossos esforços no Afeganistão. E tem muito a perder se continuar abrigando terroristas. Terroristas que executam pessoas inocentes não encontrarão glória alguma nesta vida ou na próxima. Não passam de vândalos, criminosos, predadores, e – sim, está correto – perdedores”, disse Trump.

O presidente também alertou o governo do Afeganistão a acelerar as reformas em suas Forças Armadas e na burocracia corrupta do país. “Nosso apoio não é um cheque em branco. Nossa paciência tem limite. Vamos manter nossos olhos bem abertos”, disse Trump.
The New York Times

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