quarta-feira, 23 de agosto de 2017

EUA LEILÕES

Cartas de Einstein sobre nazismo e Grande Depressão serão leiloadas nos EUA

Foto de Einstein em uma exposição de Philippe Halsman em Barcelona, em 2016. EFE/Toni Albir

Uma casa de leilões de Los Angeles receberá até a próxima quinta-feira, 24 de agosto, lances por uma série de cartas de Albert Einstein nas quais, entre outros temas, o físico critica a Inglaterra por sua inércia perante a ascensão do nazismo e aborda os problemas econômicos da Grande Depressão.

Um comunicado da casa de leilões Nate D Sanders divulgado nesta segunda-feira detalhou o conteúdo destes escritos de Einstein, entre os quais está uma carta de 1938 dirigida ao seu amigo Michele Besso, na qual critica o então primeiro-ministro inglês, Neville Chamberlain, por assinar os acordos de Munique que permitiram à Alemanha nazista incorporar aos seus domínios o território tcheco dos Sudetos.

"Você confia nos britânicos ou até mesmo em Chamberlain? Oh, bendita inocência! Esperando que Hitler talvez se compense atacando a Rússia, (Chamberlain) sacrifica a Europa do Leste", escreveu Einstein.

Além disso, assegurou que o premiê britânico encurralou a esquerda francesa ao apoiar àqueles que defendiam a ideia de que "melhor Hitler que os vermelhos".

"A política de extermínio contra a Espanha já mostrou isto claramente. Agora salvou Hitler, enquanto se coroa com a coroa do amor e da paz e induz a França a trair aos tchecos. Fez tudo isto de uma maneira tão inteligente que enganou a maioria das pessoas, inclusive a você, infelizmente", acrescentou.

"Não me resta nenhuma esperança no futuro da Europa", arrematou Einstein em um texto muito amargo e pessimista.

Em outra carta, desta vez assinada em 1932, o autor da Teoria da Relatividade abordava a Grande Depressão e a crise econômica mundial dos anos 30.

"Acredito que a nossa economia tem um defeito fundamental: adoece de um excesso de mão-de-obra não qualificada. Sempre foi assim, mas agora é mais verdadeiro que nunca", opinou.

"Não sou um socialista ou um comunista. Tenho as minhas dúvidas de que possa haver uma produtividade saudável dentro de uma economia planejada centralmente. No entanto, acredito que a comunidade teria que reduzir o excesso de mão-de-obra não qualificada com medidas restritivas que mantenham os salários suficientemente altos que permitam às massas comprar bens", opinou.

"Sem esse tipo de medidas, uma grande quantidade de pessoas, especialmente todo o trabalhador não qualificado, se verá reduzida a um nível de ignóbil subsistência e uma considerável porção deles será deslocada para fora do ciclo econômico e, deste modo, será esmagada", completou.

Por último, também será leiloada uma carta de 1918 na qual Einstein planeja o que faria com o dinheiro do prêmio Nobel três anos antes de que fosse reconhecido pela Academia Sueca.EFE

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