quinta-feira, 24 de agosto de 2017

TURISMO CHINA

Chineses ricos passam a acampar

Campings e parques estão sendo inaugurados no país inteiro (Foto: The Economist)

Um grupo de 30 pessoas com bonés vermelhos de beisebol amontoa-se dentro de um ônibus no Lago dos Cisnes, um parque na Mongólia Interior no norte da China. “Eu queria ver os pastos”, disse uma mulher de Kunming, uma cidade a 2.000 km ao sul, que está posando para fotos ao lado de uma estátua de bronze de um guerreiro mongol a cavalo. A “experiência autêntica da Mongólia” custa 380 yuans (US$55) por noite. Ao contrário dos yurts tradicionais, as tendas rústicas dos pastores mongóis cobertas com mantas de lã grossa, os yurts modernos são feitos de um material plástico, têm camas, janelas, Wi-Fi e banheiros privativos.

O aumento do número de campings sofisticados é um reflexo do crescimento anual do turismo interno de 10% a 15% nos últimos dez anos. O turismo rural tem conquistado um grande público. O governo incentivou-o, na expectativa de gerar renda para reduzir a pobreza. Os nongjiales, ou pousadas rurais, divulgam os benefícios da tranquilidade do campo para quem vive nos centros urbanos movimentados. Em Hunan, na região central da China, as acomodações com telhados transparentes oferecem aos excursionistas a oportunidade de ter “uma visão especial do céu”. Campings e parques estão sendo inaugurados no país inteiro. Segundo as previsões do governo, a China terá 2 mil acampamentos e parques até 2020.

A maioria dos excursionistas da China não se incomoda em explorar lugares diferentes e rústicos na companhia de multidões. Um acampamento em Hubei pode acomodar 8 mil pessoas. Muitos oferecem diversos tipos de entretenimento, como, por exemplo, os jantares com comida típica da Mongólia no parque Lago dos Cisnes.

Enquanto o hábito de acampar ganha mais adeptos entre os chineses com alto poder aquisitivo, os pastores nômades foram obrigados a adotar um estilo de vida sedentário. A maioria dos pastores pertence a minorias étnicas da China, como os tibetanos, mongóis e cazaques. Por sua vez, os turistas e os proprietários dos campings, em geral, pertencem ao grupo étnico Han, que representa quase 92% da população chinesa.

O governo chinês diz que o sedentarismo dos pastores significa um “enorme progresso em direção à modernidade”, opinião que não é compartilhada pelos antigos nômades, que sofrem os efeitos da imobilidade forçada e a adaptação à vida urbana. Os alegres turistas que passeiam pelos lugares antes ocupados pelos pastores nômades não sabem o que significou para eles a perda da liberdade de movimento.

The Economist

Nenhum comentário:

Postar um comentário