domingo, 13 de agosto de 2017

BRASIL SOCIEDADE

TODXS, uma startup social com plano de negócio em busca da inclusão LGBT

EFE/NARENDRA SHRESTHA

Um plano de negócios, uma linguagem corporativa e a entrega de resultados em curto, médio e longo prazo. Esses são os pilares da TODOXS, a primeira startup social brasileira sem fins lucrativos que promove a inclusão LGBT no país.

A startup, criada há sete meses por um grupo de voluntários com espírito empreendedor, surgiu em meio aos alarmantes números da "LGBTfobia".

Pelo menos 70% dos estudantes do coletivo LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros) já sofreram algum tipo de discriminação nas escolas, enquanto 980 transexuais foram assassinados no país entre 2011 e 2016, onde sua expetativa de vida é de apenas 35 anos, segundo os dados coletados pela startup.

Com os números como pano de fundo, a TODXS criou um modelo de negócio para provocar mudanças "positivas" na comunidade LGBT e tem no seu ponto de mira importantes empresas brasileiras e multinacionais, às quais oferece consultoria remunerada para aumentar a diversidade de gênero dentro das corporações.

Gigantes como Google, Microsoft e Linkedin já se emolduram dentro do conceito de "LGBT friendly" e promovem há anos valores em prol da diversidade sexual para favorecer seus trabalhadores e também sua imagem corporativa.

"A visibilidade no Google está conquistada. São colocadas sobre a mesa discussões e reivindicações dentro do escritório. É uma empresa que fomenta a inclusão e a diversidade", disse Alex Silva, estrategista de conteúdo de YouTube no "TODXS Conecta", um evento organizado pela startup que reúne pessoas LGBT para contar suas experiências e inspirar a outros jovens.

Entre os painéis do "TODXS Conecta" - uma espécie Ted Talks por e para LGBT -, a startup lança no ar uma questão para o âmbito empresarial: "Por que sair do armário é melhor para os negócios?".

Também homossexual, Tlacaelel Benavides, gerente de marketing da multinacional química Dow, responde lançando mão de estudos realizados por prestigiosas universidades e consultoras e especifica que "o correto nunca pode dar errado".

"Se os temas LGBT são falados dentro do ambiente de trabalho, a equipe é mais transparente, as pessoas atuam melhor, têm menos estresse, se centram menos em resolver os temas da aparência e se concentram mais no trabalho", ressaltou.

Na sua luta pela inclusão, a TODXS também criou o primeiro aplicativo brasileiro que reúne dados sobre a população LGBT, através do qual os usuários podem consultar leis específicas da comunidade, conhecer as organizações representativas e realizar denúncias sobre agressões.

A essência da TODXS poderia ser similar ao de uma ONG, mas a sua estrutura - dividida em departamentos - e a organização coincide com as das chamadas "empresas emergentes", que afloraram no mundo todo e revolucionaram alguns setores da economia.

Os serviços da TODXS respondem a uma demanda existente no Brasil que carece de oferta, segundo explicou à Agência Efe Humberto Silva, advogado e voluntário, e seu principal objetivo é revolucionar a inclusão LGBT em um país que a cada 26 horas registra um homicídio de homossexuais ou transexuais.

No seu plano de negócios, a TODXS tem cinco compromissos a cumprir até 2019, entre os quais se encontra o lançamento de uma base nacional de dados LGBT no Brasil e o desenvolvimento de ações de inclusão e "retenção" de transexuais e travestis em 16 escolas.

Também pretendem identificar e "equipar" 300 pessoas como a próxima geração de líderes LGBT do país e causar impacto em dois milhões de pessoas em risco com iniciativas de proteção e combate à discriminação.EFE

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